No meu prédio tem um fantasma

Palácio Salvo - foto de Larissa Brainer

“Mentira.” É sempre a primeira coisa que me dizem quando falo: “Tem um fantasma no meu prédio”. Não é mentira. Verdade que nunca o vi. Mas ele tem nome e sobrenome: Pedro Salvo. Dizem que é do tipo camarada, já alertou uma moradora sobre um incêndio, salvou um ex-morador de um assalto e impediu que uma menininha caísse das escadas. Usa cartola, bengala, paletó e gravata. Um distinto senhor dos anos 1920.

Contam que morreu por encomenda do genro. Atropelado, uma tragédia. Acabou ficando pelo prédio que, cinco anos antes, construiu junto com os irmãos, como legado para Montevidéu: o Palácio Salvo.

Ninguém sabe dizer porque dos mais de 20 pavimentos do edifício, onde ele nunca viveu, Pedro escolheu justo o 7°. Relatos dão conta que, às vezes, o elevador para no andar, abre as portas, mas não se vê ninguém entrando. Aqui em casa já fomos testemunhas.

Para além da personalidade histórica da cidade, Pedro se tornou lenda urbana. Hoje é pauta de conversas e até de mini-documentário.

O que eu penso disso? Bom, “yo no creo en los fantasmas pero que los hay, los hay”.

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