O Facebook não é a web

FACEBOOK IS NOT THE WEB

Talvez você já tenha se sentido entediado rolando a barra pelo seu feed do Facebook, como eu e como dez em cada dez amigos meus. Talvez você tenha sentido que a internet não é mais como era, o barulho hoje é muito maior. Talvez isso até tenha te colocado em nostalgia: “bons tempos aqueles em que os assuntos não passavam tão rápido em timelines e nem todo mundo se sentia empurrado a ter um posicionamento sobre tudo que acontece a cada semana, dia, hora”. Talvez você tenha a sensação que costumava esbarrar com mais conteúdo interessante, que descobria mais coisas legais e diferentes, que se aprofundava mais ou se distraía de um jeito mais produtivo na internet.

Eu sinto tudo isso, às vezes. Dá uma vontade de desconectar, um banzo que em casos extremos pode até despertar pensamentos Facebookicidas. É assim contigo?

Recentemente, esbarrei – no Facebook (rá!) – com uma imagem que me travou na hora. Porque era uma coisa que eu vinha sentindo há muito tempo, mas não tinha materializado em frase: O Facebook não é a Internet. Não é. Ele quer ser. Ele quer que a gente pense que é. Mas não.

Pode parecer que sim, porque o primeiro check! do dia – muitas vezes, sem sequer sair da cama – é no Facebook. Aquela olhada no feed, os check-ins de corridas dos amigos (“arrasa!”), as fotos de café-da-manhã (“like!”), sol nascendo (“like!” Clap clap clap), bons dias, algumas capas de jornais, alguns posts de 30 coisas-que-você-não-pode-deixar-de-perder (“ri litros”, like!), algumas frases motivacionais (hora de levantar! ah! Like!).

E a não ser que no trabalho não seja permitido usar o Facebook, ele vai estar sempre lá no navegador. Uma aba, só pra ele. No intervalo entre uma coisa e outra, rola a barra, clica (se for textão, salva pra ler depois), like, comenta, corações, lê manchetes, compartilha outras. No fim do dia, toda a clicagem foi dentro da rede, entre likes semiautomáticos. O “resto” da internet ficou todo de fora. E é todo um Universo. A janela azul é só uma ilha.

Quantas coisas, de fato, interessantes, que acrescentaram algo, que fizeram sair do piloto automático, você leu?! Quantas coisas aprendeu? Quantas das centenas de páginas de bom conteúdo que todo mundo em algum momento já deu Like na esperança de ter mais qualidade no feed realmente apareceram pra você? Dez, oito, duas? Só as que você administra? Quantos minutos você dedicou a ler um texto de maior profundidade? Quantos blogs que você costumava acompanhar você ainda lê com frequência? Quantos minutos você navegou por sites que gosta? Ou melhor: você ainda tem algum site/blog favorito que visita com regularidade, digitando no navegador, sem precisar do trampolim do Facebook?

Horas entregues a um círculo vicioso e viciado de temas. Como uma festa enorme, infinita, cheia de pessoas de vários interesses, perspectivas, ideias, mas que no fim a gente só escuta os mesmos papos. Que de tempos em tempos, provoca um tédio imenso. O massa é que quando fugimos daquela rodinha, encontramos várias outras conversas legais acontecendo. A internet não é mesmo só o Facebook. Há muito mais links, mais esclarecimentos, mais aprendizagem lá fora. É só procurar, é só ir a outras rodas, buscar outras conversas, textos, newsletters…

O Facebook vai continuar lá. Do mesmo jeito de sempre, igual a todos os dias. Desliga o Facebook. Vai ler uma newsletter ou um blog pessoal ou aquele texto que tá há duas semanas salvo pra aquele depois que nunca chega. No mínimo, você vai voltar desse rolê com mais um link para acrescentar ao feed de todos. Depois me conta o que você encontrou.

[EDIT 17/11/2015] Para ler mais sobre “os perigosos efeitos de conhecer o mundo através de uma única rede social” [/EDIT]

Leave a Reply

Your email address will not be published.Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*

9 comments on “O Facebook não é a web

  1. Guara says:

    Porra, tava olhando minha barra de favoritos e pensando em como ela ta esquecida.

    Hoje em dia eu tenho usado o fb de um jeito muito distante porque nao so uma ilha, a rede tem potencial pra alimentar muito ódio e machucar muitas relacoes.

    Eu gostava do anonimato de antes.

    Adorei o texto, adorei a volta!

  2. vanessa says:

    “A janela azul é só uma ilha.”
    Que verdade!

    • Larissa says:

      Vamo sair dela um pouco e conhecer outras terras! Brigada pela visita e pelo comentário, Vanessa! Um beijo, volte sempre. 🙂

  3. Evinha says:

    Que feliz de ter você novamente nesse espaço além Facebook… Foi assim que nossos mundos se encontraram, afinal… através dos blogs, das barras de indicação nos blogs de amigos em comum, de comentário em comentário a gente se esbarrou!
    Adorei esse texto, nunca tinha pensando conscientemente sobre essa ilha, mas já tava me sentindo meio assim, do jeitinho que você escreve. É uma ferramenta massa, mas que tá sendo usada de forma intensamente superficial.
    Brigada pela reflexão do dia!
    Um beijo pra tu.
    Feliz de te ter como coleguinha de curso e feliz de ver que tá te colocando em movimento!

    Um beijo com carinho!

    • Larissa says:

      Evinha linda! Conhecia a Rafa através de você, acho. Não sei nem como agradecer. Tô feliz em voltar aos blogs, em voltar a escrever pro mundo, na verdade. Brigada pela visita e por ter compartilhado. Um beijo e a a casa é sua! 🙂

  4. Camila says:

    Adorei o texto! Realmente bom refletir sobre o assunto…. Saudades de acompanhar vários blogs. Vou voltar a fazer isso 🙂

    • Larissa says:

      Pois é, Camila. Eu sempre fui uma leitora voraz de blogs de diversos nichos. De repente, me vi focada apenas no que o FB me mandava. Perdemos muito com isso, porque os algoritmos deles nos viciam, viciam nossa visão de mundo também. Brigada pela visita e pelo comentário. Volte sempre! 🙂

  5. Lila says:

    “A janela azul é só uma ilha”

    Só que, ao invés de ser uma ilha paradisíaca, agradável, é uma daquelas ilhas com altíssima densidade demográfica e muitos problemas sociais.

    Uma lástima, que as pessoas confundam essa redoma com a própria web.