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16 jun 2015
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O Facebook não é a web

FACEBOOK IS NOT THE WEB

Talvez você já tenha se sentido entediado rolando a barra pelo seu feed do Facebook, como eu e como dez em cada dez amigos meus. Talvez você tenha sentido que a internet não é mais como era, o barulho hoje é muito maior. Talvez isso até tenha te colocado em nostalgia: “bons tempos aqueles em que os assuntos não passavam tão rápido em timelines e nem todo mundo se sentia empurrado a ter um posicionamento sobre tudo que acontece a cada semana, dia, hora”. Talvez você tenha a sensação que costumava esbarrar com mais conteúdo interessante, que descobria mais coisas legais e diferentes, que se aprofundava mais ou se distraía de um jeito mais produtivo na internet.

Eu sinto tudo isso, às vezes. Dá uma vontade de desconectar, um banzo que em casos extremos pode até despertar pensamentos Facebookicidas. É assim contigo?

Recentemente, esbarrei – no Facebook (rá!) – com uma imagem que me travou na hora. Porque era uma coisa que eu vinha sentindo há muito tempo, mas não tinha materializado em frase: O Facebook não é a Internet. Não é. Ele quer ser. Ele quer que a gente pense que é. Mas não.

Pode parecer que sim, porque o primeiro check! do dia – muitas vezes, sem sequer sair da cama – é no Facebook. Aquela olhada no feed, os check-ins de corridas dos amigos (“arrasa!”), as fotos de café-da-manhã (“like!”), sol nascendo (“like!” Clap clap clap), bons dias, algumas capas de jornais, alguns posts de 30 coisas-que-você-não-pode-deixar-de-perder (“ri litros”, like!), algumas frases motivacionais (hora de levantar! ah! Like!).

E a não ser que no trabalho não seja permitido usar o Facebook, ele vai estar sempre lá no navegador. Uma aba, só pra ele. No intervalo entre uma coisa e outra, rola a barra, clica (se for textão, salva pra ler depois), like, comenta, corações, lê manchetes, compartilha outras. No fim do dia, toda a clicagem foi dentro da rede, entre likes semiautomáticos. O “resto” da internet ficou todo de fora. E é todo um Universo. A janela azul é só uma ilha.

Quantas coisas, de fato, interessantes, que acrescentaram algo, que fizeram sair do piloto automático, você leu?! Quantas coisas aprendeu? Quantas das centenas de páginas de bom conteúdo que todo mundo em algum momento já deu Like na esperança de ter mais qualidade no feed realmente apareceram pra você? Dez, oito, duas? Só as que você administra? Quantos minutos você dedicou a ler um texto de maior profundidade? Quantos blogs que você costumava acompanhar você ainda lê com frequência? Quantos minutos você navegou por sites que gosta? Ou melhor: você ainda tem algum site/blog favorito que visita com regularidade, digitando no navegador, sem precisar do trampolim do Facebook?

Horas entregues a um círculo vicioso e viciado de temas. Como uma festa enorme, infinita, cheia de pessoas de vários interesses, perspectivas, ideias, mas que no fim a gente só escuta os mesmos papos. Que de tempos em tempos, provoca um tédio imenso. O massa é que quando fugimos daquela rodinha, encontramos várias outras conversas legais acontecendo. A internet não é mesmo só o Facebook. Há muito mais links, mais esclarecimentos, mais aprendizagem lá fora. É só procurar, é só ir a outras rodas, buscar outras conversas, textos, newsletters…

O Facebook vai continuar lá. Do mesmo jeito de sempre, igual a todos os dias. Desliga o Facebook. Vai ler uma newsletter ou um blog pessoal ou aquele texto que tá há duas semanas salvo pra aquele depois que nunca chega. No mínimo, você vai voltar desse rolê com mais um link para acrescentar ao feed de todos. Depois me conta o que você encontrou.

[EDIT 17/11/2015] Para ler mais sobre “os perigosos efeitos de conhecer o mundo através de uma única rede social” [/EDIT]

16 jun 2015
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6 coisas fictícias que eu gostaria que existissem no mundo real

Anel ou capa da invisibilidade

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Quantas vezes eu já não quis passar completamente despercebida por uma situação, caros telespectadores?! Dezenas. Não. Centenas. Quantas outras não desejei ter a capa da invisibilidade de Harry Potter ou mesmo o Um Anel, de Senhor dos Anéis?! Claro que este último, eu preferia que viesse numa versão “light” sem a função de ser visto pelo Olho de Sauron, que ninguém quer essa ~bad vibe~ para a vida.

figa! figa! figa!

figa! figa! figa!

Jumanji

http://giphy.com/

O objeto central do clássico da Sessão da Tarde me deixava encantada e assustada ao mesmo tempo. Como eu quis aquele jogo fantástico que colocava a gente em aventuras de verdade! Óbvio que eu não ia gostar de ficar presa numa floresta por décadas, nem de virar um macaquinho ou ser atacada por animais selvagens insanos, BUT… Quem nunca desejou jogar o jogo de tabuleiro mais emocionante do cinema?! (Li essa semana que reproduziram o tabuleiro de Jumanji. Caixa de madeira entalhada e tudo! Tudo bem que sem a parte mágica é como um passeio de buggy sem emoção… Mas, né?!)

http://giphy.com/

Prefiro com emoção.

A Biblioteca do Sonhar

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Imagina uma biblioteca recheada dos títulos nunca escritos ou finalizados pelos autores? Que só existem/existiam nas mentes deles? Um livro que ficou só na cabeça de Machado de Assis. Um conto apenas sonhado por Virginia Woolf? E aquela ideia de livro que VOCÊ tem apenas anotada no caderninho no fundo da gaveta? Tudo isso está lá na biblioteca do Sonhar, na mansão de Sandman, personagem de Neil Gaiman. A primeira vez que ela aparece na série me deixou em alvoroço! Como eu queria! Nesse post tem uma lista de alguns títulos que são possíveis de identificar nos quadrinhos. Os ratos de biblioteca piram!

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Penseira

penseira

O que você faz quando está com a cabeça tão cheia que mal consegue pensar direito? Respira fundo? Medita? Escreve? Surta? Dumbledore tirava o que estava na mente e colocava na penseira, uma espécie de bacia pra reservar pensamentos e lembranças. Tanto que já quis ter a possibilidade de fisicamente tirar aquele tumulto de pensamentos e esvaziar a mente para ficar mais relaxada. Imagina o bem para humanidade que isso não faria?! Fim de noites mal dormidas porque não consegue parar de pensar.

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A chave-de-fenda sônica de Dr. Who

http://literatigeek.tumblr.com:

Tudo, mas absolutamente tudo, o Doctor resolve com a sonic screwdriver. A porta de meia tonelada está trancada? Ela abre. O carro não pega? Ela liga. Falou algo que não podia pra alguém? Ela apaga a memória.Tudo sem rastro, barulho ou explosão, limpo e indolor. Bronca zero quando eu esquecesse as chaves. Na verdade, quem precisaria de chaves?! Uma luzinha azul e pan, os problemas acabaram!

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Vira-tempo

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O pingente mais incrível de todos. Hermione usava o vira-tempo para poder estar em disciplinas que chocavam horários em Hogwarts. Terminou a aula de História da Magia? Duas voltas no vira-tempo, ela volta 2 horas e pode assistir também a aula de Runas Antigas. Todo mundo que já quis estar em mais de um lugar ao mesmo tempo desejou algo assim. Eu mesma penso nisso quase todo dia. Só que pra mim, tem mais a ver com poder comparecer àquela reunião de trabalho sem perder um belo dia de praia, claro!

16 jun 2015
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Sobre baleias

– Pai, não existe mágica de verdade no mundo, né?

– Como assim?

– Você sabe, como elfos, essas coisas. As pessoas apenas inventaram.

– E se eu te contasse uma história sobre como no fundo do oceano existia um mamífero gigante que usava sonar e cantava músicas e que era tão grande que o coração dele era do tamanho de um carro e você poderia engatinhar pelas artérias? Quero dizer, você acharia isso bem mágico, certo?! 

Diálogo do filme Boyhood. Tradução livre minha.

Estela Miazzi

Há algumas noites, uma orca* me visitou em sonho. Vivia em um tanque, tinha um cão como amigo e eles faziam um truque: ela saltava para fora, ele saltava em cima dela e eles mergulhavam. Era uma orca igual a que falou comigo qualquer coisa que eu não lembro, de dentro de um tanque em formato de tubo, em outro sonho. Ela me olhou nos olhos, nunca mais esqueci. Isso foi há quase 20 anos. Talvez seja a mesma. Talvez sempre seja ela quando quem me vem aos sonhos não são jubarte ou cachalote.

Um dia, depois de ler O Velho e O Mar, me pus a pensar no quanto as baleias nadam. Milhares de quilômetros pelo globo. Nesse dia, comecei a odiar os parques de animais marinhos. Foi também quando comecei a me sentir não de mau humor, não irritada; mas aflita em ficar presa dentro de carros em trânsitos muito lentos ou parados. Lembro de uma manhã em especial, em que no congestionamento, pensei: eu, presa por opção em uma caixa de metal, enquanto baleias atravessam oceanos. Me deu uma angústia. Me desfiz do carro, comprei uma bicicleta.

Com alguma frequência, quando estou imersa no emaranhado de coisas que o cotidiano coloca e tudo parece muito maior que eu, lembro que não importa o que aconteça, as baleias seguem nadando em oceanos imensos, em vários lugares do mundo. Um amigo me ajudou a tirar minha cachalote dos sonhos para materializá-la na minha perna. Talvez como lembrete para me colocar em perspectiva sempre.

Procurei no Google e sites de “mitologia” me dizem que baleias “são símbolo de renascimento, do mito iniciático, um tipo de renovação espiritual ou metafísica.” Citam Pinóquio e Jonas, que ficou três dias e três noites na barriga de uma baleia, para voltar como um novo homem. Foi um Jonas que acabou por inspirar o nome desse blog**, quando eu cantarolava mentalmente a música, debaixo do chuveiro. A verdade, caro telespectador, é que não sei te explicar de um jeito preciso de onde vem minha relação com baleias. Talvez, saindo daqui de dentro, um dia, eu saiba. Talvez você perceba. Talvez eu te conte.

Dentro da baleia a vida é tão mais fácil,
Nada incomoda o silêncio e a paz de Jonas.
Quando o tempo é mau, a tempestade fica de fora,
A baleia é mais segura que um grande navio.

*A rigor, a orca é um golfinho, mas no meu imaginário (e no coletivo também), a ideia com a qual eu cresci é de que é baleia.

**Nas buscas, descobri um livro de George Orwell com o mesmo nome, mas aí é outra história.