Rolling Stones: assistir a lendas vivas do rock é transcender um pouco.

Ao entrar no estádio do Morumbi, em São Paulo, nos primeiros acordes de Start Me Up, nós corremos no meio da multidão até encontrar um lugar para chamar de nosso naquelas próximas horas do show dos Rolling Stones. Há anos eu queria esse show. Não fiquei no melhor lugar, mas de onde eu estava, pude sentir toda a força que vinha daqueles homens-quase-mito no palco.

Depois de anos de desejo e meses de espera concreta, finalmente, estava tudo lá. A dança e a performance de Jagger, o mito Keith Richards, Ron Wood e seus cigarros e Charlie Watts, parecendo um vovozinho. No meio de milhares, eu estava lá. E os vi.

Ver lendas do rock ao vivo é como ver semi-deuses, forças da natureza manifestas. Gente que com Arte consegue mobilizar milhares, multidões. Pessoas de gerações, personalidades, gostos, contextos diferentes, movidas pelo mesmo combustível, se encontrando no mesmo lugar para cantar as mesmas músicas em coro, se emocionar juntas…

Rolling Stones no Morumbi, São Paulo, 2016.

De longe, tremida, a única foto do show.

Ouvi uma menina falando e eu mesma tinha dito, pouco antes, em tom de espanto e certa devoção: “eles estão vivos!”. Sim. E todas as décadas de trabalho da banda, de alguma forma, em algum ponto do tempo, se encontraram com a minha própria história e essa soma resultou naquele exato momento em que eu estava lá, meio incrédula, sem conseguir nem cantar, só para ouvir melhor Beast of Burden. Sentindo a vida na pele, sem abstração, totalmente presente naquele tempo e espaço, quase uma meditação.

“Eu me sinto infinita”, eu poderia ter dito ali, como o adolescente protagonista de As Vantagens de Ser Invisível. Um show feito por quem já viveu quase três vezes os anos que eu vivi, e que, pela ordem natural das coisas, vai embora dessa Terra pouco mais adiante, me fazendo observar infinitude, História e eternidade, transcendendo um pouco.

Um amigo disse antes do show: “não dá nem para acreditar que daqui a pouco tudo isso vai deixar de existir, vai ser só uma coisa a ser lembrada”. 24 de fevereiro de 2016: o dia em que eu vi Rolling Stones já virou história, se desmanchou no ar. Escrevo para não deixar escapar a brisa que ele deixou.

A sensação de que o tempo poderia parar ali nos fez perseguir o momento mais uma vez, tentar repetir a dose… É meio vício, you can’t get no satisfaction. Não deu, infelizmente. You can’t always get what you want, you get what you need, afinal.

Na saída, o sorriso indiscutível.

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