Não leia comentários na internet. Escreva.

André Dahmer gênio.

André Dahmer gênio.

“Não leia os comentários. Não leia os comentários. Não leia os comentários.” Uma postagem recorrente na minha timeline. Repetida como um mantra, para internalizar mesmo. Sustentar a “fé na humanidade” para várias pessoas passa por eliminar o contato com as caixas de comentários em blogs (principalmente de política, mas nem sempre), sites de notícia e no próprio Facebook.

Quase todo dia, vejo alguém reclamar do conteúdo muitas vezes racista, virulento, misógino, sexista, intolerante, violento, de um modo geral, do que alguns até chegam a chamar de “esgoto da internet”, que é a “caixa de comentários”. O pessoal lá do MIT até publicou um livro (quero muito ler!) sobre o assunto, Reading the Comments – Likers, Haters, and Manipulators at the Bottom of the Web. O resumo da publicação diz:

“Os comentários online podem ser informativos ou enganadores, divertidos ou desesperadores. Os cheios de ódio e os manipuladores com frequência parecem monopolizar a conversa. Alguns comentários são fora do assunto ou mesmo não têm assunto algum. Neste livro, Joseph Reagle nos estimula a ler os comentários. Conversas ‘na parte de baixo da internet’, ele defende, podem nos dizer muito sobre a natureza humana e o comportamento social.”

Concordo. Mas é bem difícil manter uma atitude positiva com o mundo, quando a voz predominante na internet é tão negativa.

“Um bombardeio de negatividade derrubou minhas defesas, expondo um lado tão cruel, sem sentimentos e implacável da humanidade que elevou a minha sensação de vazio existencial.”

Quem nunca se sentiu assim? Eu, diversas vezes, e sempre que isso acontece penso: não leia os comentários.

O depoimento acima é da editora de mídias sociais do TED Nadia Goodman em um texto no IDEAS.TED.COM, que fala como a página administrou a enxurrada de comentários agressivos contra Monica Lewinsky, personagem de um escândalo na Casa Branca quando Bill Clinton era presidente dos EUA, no post do TED Talk dela. Traduzi e publiquei a versão em português desse texto de Nadia aqui: Como prevenir o bullying online com um comentário no Facebook.

A postura que eles tomaram, de excluir os comentários violentos e valorizar os positivos, gerou uma onda diferente da que começou assim que o post foi publicado (bem violenta): à medida que o que era positivo e não-agressivo foi mais valorizado, mais pessoas se manifestaram positivamente. Todos os veículos de comunicação sérios com presença digital deveriam adotar política similar, na minha opinião, para cumprirem a função pedagógica que têm com a sociedade.

Como indivíduo, há um tempo venho pensando em mudar minha postura. Continuo preferindo não ler os comentários. Mas, agora, vou escrevê-los também. E usar a minha voz para ajudar a criar mais espaço para outras vozes que não carreguem tanto ódio e violência nos discursos.

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Para ler mais sobre o assunto: O terrível mundo dos comentários na Internet |
A vida de um moderador de comentários na internet | UNESCO lança estudo sobre como enfrentar discursos de ódio na Internet.

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3 comments on “Não leia comentários na internet. Escreva.

  1. guara says:

    Ok, muito bem! Adotando a prática de comentar a partir de agora, então, eu diria que tenho a mesma mania de não ler comentários de jeito nenhum, mas me lembro como o ódio tomou conta de mim nos episódios que esbravejei palavrões nos instagram e fb de Malafaia e Feliciano. Isso domina mesmo a rede. Espalhar amor é mais funcional e deixa o mundo mais bonito!

  2. Carol says:

    Sou da mesma filosofia. Faço questão de comentar com a minha visão positiva, justa e igualitária de mundo, é a minha forma de tentar mudar o mundo. Sigamos juntas, Laris! Por um mundo com uma “caixa de comentários” mais acolhedora, integrativa e positiva! <3

  3. Guara says:

    Quando tem texto novo?!